Especialista e músicos falam sobre a relevância do astro inglês David Bowie

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Murillo Pompermayer

À frente do seu tempo, David Bowie influenciou gerações e se notabilizou por suas facetas
À frente do seu tempo, David Bowie influenciou gerações e se notabilizou por suas facetas

Aos 69 anos celebrados há poucos dias, o músico inglês David Bowie morreu no último domingo (10) após árdua luta contra um câncer. Por conta de sua ida, esquecer o início de 2016 será impossível. Mas não se trata de um partir definitivo. Bowie deixa um legado que assegura sua permanência entre nós. João Rodrigo Contim, músico há 20 anos, diz que David Bowie é uma das figuras mais influentes no mundo musical. Contim pondera que uma geração que vinha da explosão dos Beatles deparou-se com a inovação de Bowie, mudando o conceito estético, visual e sonoro do rock. Para ele, tratava-se de um intérprete com ideias e loucuras do mundo contemporâneo. Contim fala, também, da influência do britânico no Brasil. “Ele influenciou músicos como Lulu Santos e Rita Lee. Nos anos 80, a banda gaúcha Nenhum de Nós regravou sua canção ‘Starman’, em português ‘O astronauta de mármore’, um hit que explodiu nas rádios brasileiras”, conta. O músico assevera que Bowie se foi, mas sua trajetória continuará inspirando novos artistas por várias gerações.

“Ele é um desses ‘seres extraterrestres’ que ‘pousaram’ na Terra no século XX, e revolucionaram o mundo da música, assim como Elvis Presley, Jimi Hendrix, Beatles e Bob Marley”, diz Contim. Para o também músico Gustavo Gazana, há 15 anos na estrada, é difícil resumir todo o legado que Bowie deixou para gerações do passado, do presente e do futuro. Gazana, que possui, inclusive, uma tatuagem feita em homenagem ao ídolo, conta que na música Bowie misturou rock, cabaré, jazz, soul, funk, música eletrônica, e tantas outras. “Bowie costumava dizer que tinha uma ‘plastic soul’, misturando gêneros musicais, pulando de um para o outro, conectando vários”, descreve. O jornalista e escritor Ricardo Alexandre, ex-diretor da Bizz, Trip e Época São Paulo, afiança que duas coisas, sobretudo, lhe chamam a atenção quanto à história de Bowie e sua importância. A primeira, conforme Alexandre, é com relação ao fato da maior parte dos grandes artistas da história do rock – àqueles a quem chamamos de gênios –, ter vindo de bandas; de agremiações; de conjuntos musicais; e que tiveram ali sua identidade difundida em algo coletivista, como Paul McCartney e John Lennon. O jornalista afirma não ter dúvidas de que Bowie foi o maior artista solo de todos os tempos.

“Foi um artista que urdiu a sua identidade ali, como uma individualidade. Isso é algo que me chama muito a atenção. E ele o fez com muita competência. Leva-se em consideração não só a parte estética, plástica, política e social de sua obra, que é o que mais chama atenção, mas especialmente a musical”, pondera Alexandre. O segundo aspecto que garante intrigá-lo no que diz respeito a Bowie é que, apesar de ter começado no final dos anos 60, e ter se transformado num ídolo popular nos anos 80, ele atravessa toda a década de 70 assumindo para si um lado bastante evidente desta década, mas muito pouco explorado como arte, que é o cinismo. “O Bowie foi um cara que, desde o início, vestiu personagens que contaram histórias a partir de ‘alter egos’. É muito interessante que, na década do ego, tenha optado por explorar ‘alter egos’. Isso só mostra a genialidade dele, o quanto soube, mais do que ninguém, talvez, lidar com o cinismo e a superficialidade do universo pop”, salienta. Por fim, Ricardo Alexandre diz que David Bowie atravessou uma carreira absolutamente brilhante neste sentido, a ponto de transformar a própria morte em arte no clipe da música “Lazarus”, divulgado há apenas alguns dias.

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