Tony Ramos é o Diabo em ‘Vade Retro’

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Estadão Conteúdo

Brincar com suspense e terror misturando com a comédia é tendência no mundo das séries. Já vieram Scream Queens e Santa Clarita Diet nos EUA, e, agora, é a vez de Vade Retro no Brasil, série de Fernanda Young e Alexandre Machado que estreia nesta quinta-feira, 20, na Globo. Na linha de frente da trama, estão Tony Ramos e a protagonista de primeira viagem Monica Iozzi. Ele é o Diabo em pessoa, o empresário Abel Zebu. Ela é uma mocinha ingênua, a advogada Celeste, abençoada ainda criança por João Paulo II durante visita ao Brasil, em 1991.

Zebu é um palestrante de sucesso, cujos discursos aparecem em quase todos os episódios. A lábia do personagem foi o que atraiu Tony, convidado pessoalmente pelo diretor artístico Mauro Mendonça Filho. Para a caracterização, porém, o ator diz ter fugido de referências, apesar de o seu visual já ter sido comparado com o de Robert De Niro em Coração Satânico (1987). “Jamais assistiria a qualquer filme que pudesse me remeter a qual figura do Diabo eu gostaria de fazer.”

O personagem encontra Celeste ao buscar um advogado para cuidar do divórcio da mulher, Lucy Ferguson (Maria Luísa Mendonça). Ela é perfeita para Zebu por sua ingenuidade, já que ele precisa também de um laranja para seus negócios. “Ela não desconfia das pessoas, ela primeiro acredita, dá um voto de confiança”, comenta Iozzi ao falar da sua única semelhança com a personagem.

Vade Retro conta ainda com o namorado frustrado de Celeste, Davi (Juliano Cazarré), que a trai com a secretária do escritório de advocacia, Kika (Luciana Paes); a carola mãe da protagonista, Leda (Cecília Homem de Melo); a enfermeira/dançarina Lilith (Maria Casadevall); e os filhos de Lucy Ferguson, a adolescente gótica Carrie (Nathália Falcão) e o endiabrado Damien (Enrico Baruzzi), fruto do casamento com Zebu.

A própria Celeste alerta, na série, para o fato de Damien ser o nome do filho do demônio no filme A Profecia (2006). Carrie também é uma referência, de Carrie, a Estranha (1977). O que não faltam são pequenas brincadeiras com filmes de terror, começando pelo método de filmar, o “one-point perspective”, em que um objeto ou personagem é colocado no centro da imagem, técnica imortalizada por Stanley Kubrick. “É legal brincar com referências”, diz Mendonça Filho, que destaca que a trama está mais para comédia do que para terror. “Tentamos achar uma estética para mostrar que é comédia.”

Além da obra de Kubrick e outros clássicos do terror, o diretor se diz também inspirado por quadrinhos. Na série, São Paulo será vista como a Gotham City das histórias do Batman, “um lugar que a gente acha que é Nova York, mas não é”, segundo o diretor.

Vade Retro, que terá ao todo 12 episódios exibidos sempre às quintas-feiras, após a novela das 21h, vai também passar por questões religiosas. Tudo, porém, com respeito, segundo Fernanda Young. “A comédia é um recurso bem-vindo para refletir sobre questões que devem ser pensadas, e o humor tem que ser leve”, afirma. “Em momento algum desrespeitamos nada, não é a nossa intenção. Somos iconoclastas, mas extremamente bem-educados.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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