Produtos JC
Notícias

Publicado por: data 27-05-2012 17:42 em noticia

Bezerra de Menezes tem novo perfil para tratamento de paciente


Bezerra de Menezes tem novo perfil para tratamento de paciente

Vivian Guilherme


No último dia 18 de maio foi comemorado o dia da Luta Antimanicomial, que prevê a extinção dos hospitais psiquiátricos e reformulação no tratamento da saúde mental.


Em meio a tantas reformas legais e administrativas discutidas em todo o país, há uma que passa quase despercebida pelos que não estão na mesa de debates: a reforma no sistema de atendimento psiquiátrico brasileiro. Apesar de lenta, ela tem avançado e interessa diretamente aos brasileiros que buscam auxílio na rede pública de saúde, podendo alterar radicalmente o sistema de atendimento.


De acordo com a assistente social da Casa de Saúde Bezerra de Menezes, Léa de Oliveira Alves Cruz, houve uma grande mudança nas formas de atuação dos hospitais psiquiátricos no país. Ela, que trabalha há mais de 30 anos no “Bezerra”, acompanhou de perto esta renovação no regimento dos hospitais.


Hoje não se menciona mais a palavra “manicômio”, assemelhando-o a uma prisão ou um depósito. O “Bezerra” trabalha organizadamente, sob supervisão e orientação da DRS X de Piracicaba, as internações não são mais feitas diretamente no hospital e o acompanhamento da família é imprescindível. “Para a pessoa ser internada tem que primeiro ter esgotado todas as tentativas de tratamento ambulatorial. Nestes casos, se o médico achar que há necessidade, ele encaminha para a Central de Regulação de Vagas em Piracicaba o pedido de internação, com a senha o usuário ainda passará por uma avaliação do médico plantonista do hospital”, afirma.


O hospital é utilizado apenas em medida de emergência, para amenizar um quadro de surto ou crise. Cada usuário tem um Projeto Terapêutico Individual, o qual é acompanhado por uma equipe multidisciplinar que prepara o usuário e a família para continuidade do tratamento nos serviços extra-hospitalares de seu município de origem.


A ideia de manter os usuários reclusos também é história do passado. No “Bezerra” os pacientes têm acesso ao telefone, recebem visitas familiares, saem em passeio terapêutico e principalmente, desde o ato da internação, a família é parte fundamental do tratamento.


“Acreditamos que sem o envolvimento da família há poucas chances de sucesso durante e após sua internação”, explica.


Segundo ela, o maior desejo é que a família esteja presente, que venha visitar, que se interesse pela situação, entretanto, nem sempre é o que acontece.


O Bezerra é referência no tratamento de doentes mentais na região que pertence à DRS X de Piracicaba atendendo 26 municípios, a capacidade do hospital é de 195 leitos SUS, sendo que 47 usuários são de longa permanência. A psicóloga Etienne Boer Benetti Cabrera explica que a maioria desses usuários veio com o fechamento de leitos de Hospitais Psiquiátricos, como o Cesário Motta de Piracicaba, Hospital em Mococa e Sayão de Araras. “Os usuários de longa permanência, portadores de doença mental com dificuldade de convívio sociofamiliar, estão sendo acolhidos pela instituição, pois muitas famílias os rejeitaram e, neste processo, o hospital através de técnicos, tenta resgatar a partir de estímulos e orientações o vínculo perdido entre paciente e família e vice-versa”, explica.


De acordo com a psicóloga, as equipes terapêuticas do Bezerra são a favor também de uma residência terapêutica para estes usuários, como prega a reforma psiquiátrica, com um acompanhamento especializado. “Nós também somos favoráveis à desinstitucionalização dos pacientes, buscando dar alta aos usuários de longa permanência, pois concordamos com os princípios da reforma psiquiátrica”, esclarece.


ATENDIMENTO


O foco das equipes de profissionais está sempre nos usuários, e o intuito é deixá-los envolvidos no tratamento. Para isso, eles participam, conforme interesse e patologia, de oficinas de marcenaria, artesanato, culinária, academia de ginástica, horta, além de atividades extras, como caminhadas.


Um dos grandes destaques dos trabalhos é o Carnaval, os internos abrem o carnaval da cidade com desfile pelas ruas próximas ao hospital. As fantasias são feitas pelos próprios usuários, e em alguns casos até a letra do samba-enredo foi feita por eles. “Muitos dos pacientes que passam pelas oficinas descobrem uma aptidão, e continuam fazendo quando saem daqui”, afirma Léa.


Pessoas que precisam de tratamento devem procurar os serviços extra-hospitalares de seu município, como Caps e Ambulatórios de Saúde Mental. Lá será feito o encaminhamento necessário, tanto com medicamentos como direcionamentos para a família.


1705 visualizações desta notícia

COMENTÁRIOS

carlos ronoel garcia fernandes - 27-05-2012.
Sou alcoolista há 45 anos. consegui manter a saúde graças a um bom plano de saúde.Hoje aposentado não tenho mais acesso a um ratamento a que me submetia , em m´dia a cada dois anos. Pela falta de suporte médico à minha doença ui submetido involuntariamente a uma clinica, que vem se prosperando como padarias, pelo Brasil.O abuso, embora que bem intencionado dos familiares, supera os direitos constitucionais a que todo cidadão está, em princípio sujeito?
renato marino moraes - 09-06-2013.
valeu pelo apoio estou torcendo por vcs
renato marino moraes - 25-04-2013.
gostei muito de vcs da clinica me tratarao muito bem plincipalme michele etiene emfermeiro cleber e outros mais ja estou retornando ai porq eu acho q foi muito pouco pra min obrigado por todos