Carine Corrêa

Uma experiência sem agrotóxicos

A primeira vez que ouvi falar em agrotóxicos foi no início da adolescência. E não soou para mim de forma agradável: a informação veio como consequência da morte do cantor sertanejo Leandro, em 1998. Sua morte estaria ligada à ingestão do “veneno”. Lembro-me de ter perguntado para minha mãe sobre a substância. Ela disse que era uma composição química que poderia estar presente, por exemplo, na casquinha do tomate.

Apesar de não se admitir publicamente, especulações evidenciam que o câncer que causou a morte de Leandro poderia ter sido provocado pela ingestão excessiva de agrotóxicos enquanto aplicava-os nas lavouras de tomate da família.

Anos depois, me deparo com a seguinte notícia: uso de agrotóxicos no Brasil subiu 162% em 12 anos. Em uma busca rápida para me informar, descubro que o país é campeão mundial no consumo da substância química. Ao ler uma entrevista na Revista Galileu, um pesquisador do assunto – Wanderley Pignati, doutor em Saúde Pública e professor da Universidade Federal do Mato Grosso – credita a posição do país no ranking mundial à produção agrícola principalmente da soja.

No código penal, distinguimos os crimes culposo e doloso. O primeiro é quando não há intenção de cometer o crime. Já o segundo é quando a pessoa teve a intenção de cometê-lo. Isso não se trata de um crime culposo. Com a finalidade de garantir uma boa produção, o agricultor age na intenção do extermínio do seu objetivo: insetos e pragas. E tudo isso porque mudamos todo o modelo da agricultura tradicional. Passamos a enxergar o alimento como um produto que será comprado no mercado. Embalado. Sua produção em larga escala é o que movimenta o agronegócio.

Há poucos dias tive o prazer de comer alguns tomates plantados em um vasinho, no quintal de casa. O sabor e o carinho no qual foi cultivado, preencheram meu paladar. Me senti livre das toxinas e presenteada pela minha amiga que o cultivou. Uma experiência livre das toxinas do mercado.

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