Roberta Moraes

SOMATIZAÇÃO

Somatização se refere a uma ou várias queixas físicas, que uma investigação adequada não revele existência de patologia orgânica ou mecanismo patofisiológico que expliquem a intensidade da queixa física. Geralmente é considerada resultado como resposta a um extremo sofrimento psicológico. 

 A presença de somatizações não exclui o diagnóstico de outras doenças psiquiátricas, ocorrendo com frequencia simultaneamente com estes. Pacientes com transtornos psiquiátricos como depressão, transtorno de ansiedade ou algum transtorno de personalidade, descrevem sintomas físicos além dos usados para diagnóstico do transtorno que apresentam em 72% dos casos.

O termo foi gerado pela tradução cientificista em inglês do termo alemão Organsprache (“fala dos órgãos”), originalmente criado por Wilhelm Stekel (1868-1940) no início do Século XX, e que podia representar tanto a manifestação física com lesões orgânicas quanto sintomas físicos sem explicação médica, desde que gerados por conflitos psicológicos inconsciente. Frequentemente a palavra somatização é utilizada dentro desta definição por diversas disciplinas.

No final do século XX, a definição de somatização, na Psiquiatria, voltou-se principalmente para sintomas físicos inexplicáveis, abandonando o conceito de doenças físicas de origem psíquica (as chamadas doenças psicossomáticas). O termo vem sendo recentemente contestado por exigir explicitamente uma origem psicossocial. Embora, em geral, causas desta natureza estejam presentes diante de queixas inexplicáveis, há uma minoria de casos onde estas não podem ser evidenciadas. Assim, existe uma tendência recente na literatura internacional sobre o assunto em usar o termo sintomas físicos sem explicação médica (SEM) ou Idiopático. 

Quando não identificados, os pacientes com transtornos somatizantes costumam demandar uma grande quantidade de consultas médicas e exames, aumentando seu sofrimento, ansiedade e frustrações.

Acredita-se que fatores psicológicos e psicossociais desempenham um papel importante na origem desta condição.  Em pacientes com transtornos de somatização, o sofrimento emocional ou as situações de vida difíceis são experimentados como sintomas físicos. 

Sendo diagnosticada uma causa psicológica o quadro passará ser chamado de Psicossomatização. A somatização tem de ser tratada, pois pode enfraquecer as defesas do organismo. É só passar por uma situação muito difícil, estressante ou problemática que o corpo manifestará os sintomas.

“O stress e a ansiedade são os principais fatores que acabam por influenciar no aparecimento, na manutenção ou repetição de uma doença física, porque eles alteram o funcionamento de vários sistemas do nosso organismo”, explica o psiquiatra Carlos Andrade, diretor-científico do Comitê de Medicina Psicossomática da Associação Paulista de Medicina.

“O paciente sente sintomas no corpo sem que haja uma causa física que explique aquilo. E ele sofre porque não encontra uma causa. Geralmente, são pessoas que recusam fazer um acompanhamento psicológico”, explica o psiquiatra José Atílio Bombana, do Programa de Atendimento e Estudos de Somatização da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

As Doenças Psicossomáticas tendem a flutuar na sua gravidade, mas persistem toda a vida. É rara a remissão completa dos sintomas durante longos períodos. Algumas pessoas tornam-se mais manifestamente deprimidas com o passar dos anos.

De modo geral a Somatização se caracteriza por um salto do psíquico para o orgânico, com predominância de queixas relacionadas aos órgãos e sistemas, como por exemplo, queixas cardiovasculares, digestivas, respiratórias, etc.

Alguns autores aceitam a idéia de que a Doença Psicossomática acontece quando há prejuízo da manifestação afetiva típica, ou seja, quando há alguma dificuldade para a pessoa reconhecer e verbalizar sentimentos e emoções.




CUIDE-SE!

Até a Próxima!
RLM

 

 


REFERÊNCIAS

1. Somatização – Carlos Alberto Pastore

2. Schurman RA, Kramer PD, Mitchell JB. The hidden mental health network. Treatment of mental illness by nonpsychiatrist physicians. Arch Gen Psychiatry 1985


3. Mai, F. Somatization Disorder, a practical review. Canadian Journal of Psychiatry 2004


4. Celina D.S. Lazzaro, Lazslo A. Ávila. (2004) Somatização na prática médica. 

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