Carine Corrêa

Nas esquinas da vida

Sempre tive medo de cobra, desde pequena, contou minha mãe. Essa ofidiofobia teria sido desencadeada pela abertura de uma novela. Anos mais tarde, me vi frente a frente com uma caninana! E onde eu tinha me enfiado para me deparar com meus medos mais primitivos? Estava tomando um banho de cachoeira. Já era maior, podia testar meus limites. Sorte minha que aquela caninana era filhote, e nas mãos de um caiçara parecia ainda mais inocente. “Cadê aquela serpente assustadora e comedora de criancinhas que aparecia na abertura da novela?” Mas não… era uma cobrinha baby. Disponível nas cores preta e amarela, se deslocava com agilidade pelo espelho d’água.

Avançando mais um passo para enfrentar a fobia da infância, eu mesma resolvi segurar a cobrinha. E então ela fez vlupt! Se enrolou toda no meu braço. Alguns anos mais tarde, conheci outra cobra. E essa tinha até nome: Patrícia. Olha, Patrícia causou em Rio Claro… Ou melhor, foi vítima de todo um teatro dos humanos. Os donos da Patrícia queriam exibi-la em uma feira, que aconteceria no Mitiko Nevoeiro. Mas estava tão quente, e o lugar para ela ficar seria tão apertadinho, que um grupo resolveu protestar. Que bom! Agora pula mais alguns aninhos e chegamos a 2016. Terça-feira (22/mar). Na esquina de casa, flagrei uma jiboia tentando voltar pra sua casinha, mas ficou assustada com o alvoroço da vizinhança e então se encurralou no canto de um muro. Justo a cobra que é considerada um animal de poder na cultura xamã. Cobra é transmutação. Acho que por isso, desde criança, tenho nela uma aliada, e vice-versa. Mas então a pobre da jiboia ali encurralada na sinuca do muro. Quantos de nós já não terão se sentido encurralados nas esquinas da própria vida?

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