Vivian Guilherme

Faltam leitores

No mês em que se comemora o Dia do Escritor (dia 25 de julho), quatro grandes perdas para a literatura brasileira. Somente em julho se despediram da Terra Ivan Junqueira, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna. Apesar dos pesares, para os que ficam, os escritores deixaram um legado memorável para a literatura nacional. Entretanto, impossível não lembrar que há poucos escritores desse porte ainda vivos. E, lamentavelmente, há poucas esperanças para os que estão por vir. Não porque existam poucos bons escritores no Brasil, mas existem muito poucos leitores no Brasil. E os poucos leitores que ainda existem, em sua maioria (sem generalismos), não estão à procura de gênios da literatura.

Segundo a PublishNews, enquanto o PIB brasileiro cresceu 41,82% na última década, a indústria editorial aumentou seu faturamento em apenas 7,34%. Lembrando que em 2013, 27,51% do faturamento das editoras foi oriundo de compras governamentais, comprovando a dependência do setor no governo. E mesmo com o aumento nas compras governamentais, o setor continuou estagnado, prova de que as compras – de forma geral – retraíram. Concordando com Rodrigo Constantino, um faturamento inferior a R$ 4 bilhões no mercado privado é ridículo para um país com 200 milhões de habitantes. O valor representa um gasto bruto anual de apenas R$ 20 per capita, o que não dá nem um livro por pessoa. Ou, talvez, um livro de autoajuda/promoção por pessoa, no máximo, dois livros usados, comprados no sebo.

Sobre a qualidade da leitura há muitas vírgulas no caminho. Há quem diga que ‘leitura em série’ e ‘autoajuda’ não são leitura e os que defendem que ler é o essencial, independente do que se leia, nem que seja a lista telefônica ou a bula de um remédio. E há teorias que comprovam os dois lados e sustentam, cada um a sua forma, a leitura de forma irrestrita. Mas contra alguns fatos, definitivamente, não há argumentos. Cada vez mais é difícil encontrar pessoas que consigam formular frases sintáticas. Isso sem mencionar a grafia. Ou até mesmo o discurso falado. Falta muito para se conseguir formular uma ideia e transmiti-la de forma clara. E ainda por cima exigir bons leitores, bons escritores e gênios da literatura é demais para um país que não investe – com qualidade – em educação.

Mas há. Ainda existem bons escritores e novos escritores no Brasil e até mesmo em Rio Claro. Não estão na exposição da livraria e nem no hall das bibliotecas, mas estão por ali. O que falta é alguém – da televisão ou formador de opinião – apontar o dedo e dizer “isso é bom, leia isso” e um investimento pesado em publicidade, para que figure entre os mais lidos. A minha dica é leia, independentemente – de qualquer coisa – mas LEIA!

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