Favari Filho

Ainda é só o começo

O Instituto Datafolha divulgou, no último dia 19, uma significativa pesquisa que aponta o apoio de 68% dos eleitores ao impeachment de Dilma Rousseff; do mesmo modo, o número daqueles que defendem a renúncia da presidente saltou de 58% para 65% em menos de um mês. Há mesmo um clima de Fla-Flu no Brasil, conforme notou o Toninho lá do bar, mas, acredito, nada tem a ver com a bipolaridade partidária concebida e propagada pelas duas ‘potências sicofantas’ PSDB e PT.

Os fatos, sobrepostos diariamente, saltam à vista dos brasileiros e a divisão existente revela dois grupos distintos, ou seja, os que aprovam e os que não aprovam a corrupção instalada como regra e o desgoverno que, com suas não ações, segue ladeira abaixo atingindo a vida e o bolso do cidadão comum [recapitulando o cenário atual]. No dia 18 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, suspendeu a nomeação para a Casa Civil do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, que havia ‘tomado posse’ no dia anterior. Motivo: “Não há aqui pedido de nomeação para o cargo, mas há uma clara indicação da crença de que seria conveniente retirar a acusação da 13ª Vara Federal de Curitiba”, justificou o magistrado.

A divulgação dos grampos telefônicos de conversas do ex-presidente com a atual Chefe de Estado e demais aliados na semana passada provocou reação imediata, tanto na política quanto nas ruas, e fez com que o governo adiantasse a posse de Lula em cinco dias do prazo anteriormente divulgado à imprensa. Nas gravações, Dilma o avisa de que a nomeação já estava protocolada e que o documento seria entregue para que usasse “em caso de necessidade”; ora, qual seria a necessidade uma vez que o cargo concede o benefício de foro privilegiado?

Não obstante, ainda nas gravações, o ex-líder sindical denominou a Operação Lava-Jato como a “República de Curitiba”, além de classificar o STF como uma instituição “acovardada”. Cabe lembrar que a ocupação de um ministério a-toque-de-caixa por parte do futuro ex-ministro aconteceu devido à condução coercitiva do dia 4 de março, na qual prestou depoimento de manhã e, à tarde – ao perceber o cerco fechado – realizou um pronunciamento para a claque com um tom algo dogmático, algo vitimista, que nada esclareceu sobre sua condição de investigado; depois, tratou de impetrar um cargo com foro privilegiado.

Mas como dizia aquele narrador esportivo, “olho no lance!”, pois a partida continua para infelicidade da Nação e, mesmo com milhões de manifestantes ocupando as ruas e tencionando a queda do governo, o Brasil segue na corda bamba de sombrinha. A exemplo da Operação Mãos Limpas – ocorrida na Itália nos anos 1990 e que demorou mais de uma década para desbaratar um esquema sórdido de corrupção –, a Lava-Jato segue com passos firmes e outras duas fases foram iniciadas nesta semana. O clima é de Fla-Flu, repito, citando meu amigo, mas o certame ainda está longe do fim; o que se vê, infelizmente, ainda é só o começo.

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