Carine Corrêa

A passo de formiguinha

Se tem algo que nossa configuração atual parece não favorecer é o convívio harmonioso entre todos os membros de uma comunidade. Mas nem tudo está perdido. Estava lendo agora um artigo sobre o convívio das formigas e entendi o porquê de estarem associadas ao sucesso do trabalho em conjunto. Cada formiga possui uma função bem definida dentro da colônia: todas as tarefas são bem divididas entre todas elas. Em um formigueiro há as formigas que são responsáveis pela segurança, as que fazem os túneis do formigueiro e buscam alimentos, e as responsáveis pelos cuidados com as larvas.

Nesta semana, vi uma charge que continha uma mensagem simples, mas com grande significado: “Então você quer mudar o mundo?” – perguntou o pai ao filho, que segurava o vaso de uma planta. “Não estou sozinho, só estamos espalhados… mas já começamos a nos reunir” – respondeu.

Tudo fez sentido nessa quinta-feira (28), ao receber uma notícia, vinda lá da capital. Dona Maria Aparecida Corraini – que tive o prazer de conhecer pessoalmente – encontrou o filho que procurava há pelo menos três anos. A formiguinha que transmitiu a mensagem foi Doroty Boveri, uma senhora com um sorriso largo e simpático que mora aqui em Rio Claro. Ainda na colônia, participaram voluntários lá do Espírito Santo que foram as formiguinhas que encontraram o Silvio, filho de Dona Maria.

Acredite se quiser, mas a colônia não para por aí. Dona Corraini esteve em Rio Claro em 19 de março deste ano, depois de receber informações de que um homem com as mesmas características de seu filho estaria circulando pelo bairro Santa Cruz. Na ocasião, além de contar com o auxílio de Doroty, recebeu o carinho das formiguinhas Gilmar Leriano e Ana Maria, além de outros voluntários do bairro que se comoveram pela sua história. Tem até formiguinha fardada, como o comandante da Guarda Municipal Wladimir Walter, que não poupou esforços para ajudar Maria Aparecida. Dona Corraini é a rainha desta colônia. Dizem que as formigas conseguem carregar um peso até 100 vezes maior do que o seu próprio peso. Dona Maria deve carregar duas vezes mais. Ou melhor, trinta! Pela primeira vez entendi como o trabalho coletivo pode mudar o mundo e nossa relação com o ele. A passo de formiguinha, um dia chegarei à coroa.

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